A coisa mais espantosa que nos aconteceu nos ultimos tempos deve ter sido as i"Stuff". iPhone, iBook, iPad encheram o nosso léxico de palavras, que apesar de começarem por *ai*, nos enchem de prazer.
Os romanos diziam que o povo precisa de pão e circo, actualizando a frase aos termos actuais, o que o povo precisa é de cupcakes e gadgets electrónicos.
São das relações mais puras que temos, apesar de "crasharem" com alguma frequência e também fazerem coisas completamente inexplicáveis, somos nós quem decidimos a altura de fazer reboot, shutdown ou upgrade.
Curioso, ao contrário dos nossos pais que acabaram por fazer uma revolução, devemos ser das gerações mais precárias que existiu mas viramo-nos do avesso para adquirir a nova versão de telefone que usamos como "prova de status" mesmo ao lado do livro de recibos verdes.
Ainda ontem falava isso com uma amiga, há uns anos atrás, a ideia de ficar num emprego convencional com horários rígidos e a sua consequente estabilidade, assustava-nos. Hoje em dia, a ideia de "estabilidade" já não nos parece assim tão má.
Mesmo nas relações, por mais que o marasmo nos invada, damos por nós a ponderar se a estabilidade não é preferível ao desconhecido.
No meio da nossa parafernália electrónica damos por nós a amedrontar-nos cada vez mais. A resignarmo-nos aos nossos *ais* com medo que o desconhecido nos traga *ais* ainda maiores.
O nosso disco rígido está cada vez mais cheio de "fragmentos", acumulados durante a nossa vida, devido a medos desenvolvidos por excessivos ataques ao nosso idealismo.
Aliás, o idealismo hoje em dia, vale tanto como um telefone de segunda geração. Pensamos que só nos leva a dissabores ou ao desemprego...
Da veia revolucionária dos nossos pais não nos sobra muito, apenas umas quantas conversas café com amigos mais chegados.
Espero que as gerações futuras tenham um upgrade em relação à nossa, que passem de geração i(*ai*) a geração y(*why*).
Blog updated via iPad
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
ás de Copas
É mesmo necessário um certo grau de casualidade para manter o fogo numa relação?
Será que se procurarmos algum tipo de compromisso cedo de mais, acabamos por comprometer a intensidade da relação?
Podemos viver romances livres de amarras durante algum tempo, acho que isso todos conseguimos... mas a maior habilidade está em saber a altura exacta para virar o jogo e tentarmo-nos comprometer.
Se for cedo de mais extinguimos a chama mas se for tarde de mais a unica saída é o gameover.
Talvez as relações actuais se assemelhem cada vez mais ao poker. Se a casualidade é necessária, temos de saber quando "ir a jogo", quando "passar" e até quando fazer "all-in". Tudo tem que ser feito na altura exacta antes que as fichas se esgotem.
Minúcia, minúcia... my friends e um certo grau de bluff....
Estes dilemas conduzem a mais uma questão, quantas vezes podemos "ir a jogo" sem sermos considerados "fáceis"?
Como "criaturas urbanas" devemos preocupar-nos com isso?
Conseguimos passar a vida a arriscar mas essas tentativas comprometem mesmo a nossa probabilidade de vitória nas "mãos" seguintes? Hoje em dia? Para ambos os sexos?
Isto talvez explique o numero de pessoas que existe em "burn-out emocional", consumiram-se na incerteza do "como?" e do "quando?".
Será que se procurarmos algum tipo de compromisso cedo de mais, acabamos por comprometer a intensidade da relação?
Podemos viver romances livres de amarras durante algum tempo, acho que isso todos conseguimos... mas a maior habilidade está em saber a altura exacta para virar o jogo e tentarmo-nos comprometer.
Se for cedo de mais extinguimos a chama mas se for tarde de mais a unica saída é o gameover.
Talvez as relações actuais se assemelhem cada vez mais ao poker. Se a casualidade é necessária, temos de saber quando "ir a jogo", quando "passar" e até quando fazer "all-in". Tudo tem que ser feito na altura exacta antes que as fichas se esgotem.
Minúcia, minúcia... my friends e um certo grau de bluff....
Estes dilemas conduzem a mais uma questão, quantas vezes podemos "ir a jogo" sem sermos considerados "fáceis"?
Como "criaturas urbanas" devemos preocupar-nos com isso?
Conseguimos passar a vida a arriscar mas essas tentativas comprometem mesmo a nossa probabilidade de vitória nas "mãos" seguintes? Hoje em dia? Para ambos os sexos?
Isto talvez explique o numero de pessoas que existe em "burn-out emocional", consumiram-se na incerteza do "como?" e do "quando?".
domingo, 2 de janeiro de 2011
United States of Loneliness
Quanto mais penso na solidão mas sei que não tem nada a ver com pessoas...
Normalmente pensa-se: uma pessoa sem a presença de outras está só! Na minha opinião, não há nada de mais errado...
Quantas vezes não nos aconteceu, estarmos rodeados de pessoas que apreciamos mas existe qualquer coisa que nos faz sentir sozinhos... no meu caso, com uma súbita necessidade de estar noutro sítio qualquer que não aquele...
Noutras alturas, estou em casa, tiro o som do telefone e fico deliciada em passar a noite com um livro e um pint de gelado.
Recentemente, e pela primeira vez na minha vida, estou numa casa sozinha. Em algumas noites, tenho que confessar, que senti uma solidão tão espessa que vesti o casaco e fui para a rua. Contudo, nessas alturas, mesmo que tivesse alguem ao pé de mim teria sentido a mesma angustia.
Do que me lembro, não é bem a sensação de solidão mas de sensações combinadas. Talvez solidão misturada com vulnerabilidade e uma pitada de impotência.
Há dias que só nos apetece fugir, passeamos nas ruas mas temos um pensamento secreto que as pessoas que se cruzam connosco são apenas figurantes contratados, não existem, limitam-se a passar para a frente e para trás.... pensamos que se estivessemos nus provavelmente continuariam a passear para a frente e para trás impassivelmente.
A solidão também pode ser reconfortante, quer estejamos sozinhos ou no meio na multidão, às vezes sabe bem perdermo-nos no meio do nosso cérebro. Embrulharmo-nos nas nossas emoções, misturar tudo e talvez, quem sabe, tirar fantásticas conclusões de coisas que nunca esperávamos resolver.
Penso que não vale a pena procurar a solidão entre quatro paredes, ela pode estar em qualquer lado, dentro de um quarto ou no meio de um centro comercial.
A solidão é mais um estado psicológico do que físico. Nunca sabemos quando pode atacar, por vezes ataca em momentos completamente inesperados outras vezes fica um pouco e transforma-se, não num estado passageiro, mas numa fase...
Podemos mexer-nos à vontade, ela não depende de lugares nem de companhia...
Séneca resumiu o estado de uma forma maravilhosa: Sentir solidão não é estar só, é estar vazio.
Normalmente pensa-se: uma pessoa sem a presença de outras está só! Na minha opinião, não há nada de mais errado...
Quantas vezes não nos aconteceu, estarmos rodeados de pessoas que apreciamos mas existe qualquer coisa que nos faz sentir sozinhos... no meu caso, com uma súbita necessidade de estar noutro sítio qualquer que não aquele...
Noutras alturas, estou em casa, tiro o som do telefone e fico deliciada em passar a noite com um livro e um pint de gelado.
Recentemente, e pela primeira vez na minha vida, estou numa casa sozinha. Em algumas noites, tenho que confessar, que senti uma solidão tão espessa que vesti o casaco e fui para a rua. Contudo, nessas alturas, mesmo que tivesse alguem ao pé de mim teria sentido a mesma angustia.
Do que me lembro, não é bem a sensação de solidão mas de sensações combinadas. Talvez solidão misturada com vulnerabilidade e uma pitada de impotência.
Há dias que só nos apetece fugir, passeamos nas ruas mas temos um pensamento secreto que as pessoas que se cruzam connosco são apenas figurantes contratados, não existem, limitam-se a passar para a frente e para trás.... pensamos que se estivessemos nus provavelmente continuariam a passear para a frente e para trás impassivelmente.
A solidão também pode ser reconfortante, quer estejamos sozinhos ou no meio na multidão, às vezes sabe bem perdermo-nos no meio do nosso cérebro. Embrulharmo-nos nas nossas emoções, misturar tudo e talvez, quem sabe, tirar fantásticas conclusões de coisas que nunca esperávamos resolver.
Penso que não vale a pena procurar a solidão entre quatro paredes, ela pode estar em qualquer lado, dentro de um quarto ou no meio de um centro comercial.
A solidão é mais um estado psicológico do que físico. Nunca sabemos quando pode atacar, por vezes ataca em momentos completamente inesperados outras vezes fica um pouco e transforma-se, não num estado passageiro, mas numa fase...
Podemos mexer-nos à vontade, ela não depende de lugares nem de companhia...
Séneca resumiu o estado de uma forma maravilhosa: Sentir solidão não é estar só, é estar vazio.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Brindemos a isso!!
Dada a data, não poderia deixar de vos desejar: BOM IVA A 23% !!!
Ok, ok... que tal afogar as mágoas num cocktail para bater na crise? Como por exemplo o Kir Royale!! (antes que este cocktail se torne tão caro que ninguém o beba)
O Kir Royale também tem base champagne (também, é uma referência ao mail de Natal em que vos dei a receita de Bellini) mas desta vez, misturado com creme de Cassis.
As proporções são:
- 1 parte de Creme de Cassis
- 5 partes de Champagne
Verter sempre o Champagne sobre o Creme de Cassis!
CHEERS!
Ah!... e já agora BOM 2011!!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Amor ou Paixão? Cão ou Gato?
Tal como há pessoas que são mais pessoas de cães e pessoas que são mais pessoas de gatos, há pessoas que são mais pessoas de paixões e pessoas que são mais pessoas de amores.
Não há resposta certa, é como preferir doces ou salgados... Se bem que entre ambos não consiga decidir o que é doce ou salgado.
O amor é idílico, romântico, construtivo... Embala-nos com o seu ritmo e sentimo-nos protegidos do mundo...
A paixão é tempestuosa, arrebatora, destrutiva... É como se levassemos 5 choques eléctricos de seguida, faz-nos oscilar entre a alegria mais extrema e a depressão mais profunda.
O amor é um morno aconchegante, a paixão oscila entre o frio glaciar e o calor dos infernos...
O amor é cor-de-rosa, a paixão é vermelha...
O amor dura a vida inteira, a paixão (está comprovado) não dura mais de 3 anos...
Quando o amor acaba fica a amizade, quando a paixão acaba fica o ódio...
Se forem adeptos da paixão, pensem que de x em x tempo vão ter que escolher outro objecto de desejo... Se forem adeptos do amor, aceitem o facto de ficarem com a mesma pessoa...
Durante a vida podemos mudar de preferência? ou os românticos serão sempre românticos e os tempestuosos sempre tempestuosos?
Seremos só um tipo? Ou os dois podem coexistir na mesma pessoa?
Pessoalmente, já desesperei na paixão e morri de marasmo no amor. Penso que o que quero é o que todos querem, um amor apaixonante ou uma paixão amorosa. Uma relação ardente que se auto-alimente sem nos consumir a nós, que perdure e nos faça resistir às tentações da vida. Mais irrealista penso que é impossível mas a natureza faz sempre questão de nos mostrar que não podemos ter tudo...
A única coisa que posso adiantar é que... tenho um cão e uma gata...
Não há resposta certa, é como preferir doces ou salgados... Se bem que entre ambos não consiga decidir o que é doce ou salgado.
O amor é idílico, romântico, construtivo... Embala-nos com o seu ritmo e sentimo-nos protegidos do mundo...
A paixão é tempestuosa, arrebatora, destrutiva... É como se levassemos 5 choques eléctricos de seguida, faz-nos oscilar entre a alegria mais extrema e a depressão mais profunda.
O amor é um morno aconchegante, a paixão oscila entre o frio glaciar e o calor dos infernos...
O amor é cor-de-rosa, a paixão é vermelha...
O amor dura a vida inteira, a paixão (está comprovado) não dura mais de 3 anos...
Quando o amor acaba fica a amizade, quando a paixão acaba fica o ódio...
Se forem adeptos da paixão, pensem que de x em x tempo vão ter que escolher outro objecto de desejo... Se forem adeptos do amor, aceitem o facto de ficarem com a mesma pessoa...
Durante a vida podemos mudar de preferência? ou os românticos serão sempre românticos e os tempestuosos sempre tempestuosos?
Seremos só um tipo? Ou os dois podem coexistir na mesma pessoa?
Pessoalmente, já desesperei na paixão e morri de marasmo no amor. Penso que o que quero é o que todos querem, um amor apaixonante ou uma paixão amorosa. Uma relação ardente que se auto-alimente sem nos consumir a nós, que perdure e nos faça resistir às tentações da vida. Mais irrealista penso que é impossível mas a natureza faz sempre questão de nos mostrar que não podemos ter tudo...
A única coisa que posso adiantar é que... tenho um cão e uma gata...
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