Este é um dilema muito pessoal que me "atazana" a mente desde que tenho memória: devemos conduzir o nosso conhecimento para um tema específico ou devemos generalizá-lo?
Sei, por análise, que os especialistas alcançam sempre o sucesso antes dos generalistas.
Como devemos escolher o objecto da nossa generalização? De repente "plim" só gostamos de música? De repente "plim" só gostamos de motores híbridos?... e estamos dispostos a dedicar a nossa vida a isso?
Devo ter vindo da universidade que mais especialistas forma por ano, o técnico. Não me refiro só às áreas técnicas... são especifícos por feitio.
- Será culpa do famoso "dom"? Alguém que descobriu o "dom" a tempo e horas e teve a sorte de se dedicar a ele...
- Será uma forma de autismo? só conseguimos ver e assimilar "aquilo"...
- Será que é a única coisa para a qual temos geneticamente jeito?
- será que quanto mais nos especializamos mais a nossa curiosidade se aguça para descobrirmos ainda mais sobre o tema?
Serão os generalistas, específicos que ainda não descobriram o "dom"?
Talvez os generalistas não consigam saciar a sua curiosidade apenas com um tema. Por mais que se goste de gambas, é possível que se goste de robalo e até de brócolos.
Não digo que seja impossível especializar-nos com sucesso em mais que um tema, dois talvez... mas para o fazer "como deve ser" devemos estar dispostos a abdicar de algumas importantes como: vida social, "me" time e até mesmo vida sentimental...
Assim-assim, podemos fazer milhares de coisas. Saber um bocadinho de tudo, sem ser o verdadeiro "sabichão". Para pessoas seriamente curiosas é este o caminho que aconselho a seguir... para pessoas mais metódicas, especialização, sem dúvida.
Também podemos ser "bonzinhos" em dois ou três temas, agora "supra-sumo" acredito que só num...
O que me consola é que os "supra-sumos" que conheço se convertem num instante em workaholics e aí a única paixão ou fogo provém do objecto de especialização... e é tão bom ficar assim, a sentir calor de várias frentes...
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Muletas Sentimentais
Acho que entre todos os vínculos de relações humanas possíveis há um que tem sido negligenciado e esquecido ao longo dos tempos.
Não pensamos neles mas no fundo eles dão mais afecto que os amantes e mais suporte que a família. São bem mais que amigos, são uma sub-categoria de amigos que devia ser promovido a uma categoria por si. São as chamadas "muletas sentimentais".
São aqueles supra-amigos que estão nas alturas mais díficeis para nos agarrar a mão e oferecer o ombro ou o colo.
Com eles não temos vergonha de assumir as nossas fraquezas e de dizer que estamos mesmo "lixados" com "F" grande.
Podemos passar meses sem lhes dirigir a palavra mas na altura do sufoco é como se estivessem em speed-dial no nosso telefone, são a nossa primeira opção.
Não sei se vos acontece o mesmo que me acontece a mim, tenho amigos da altura do colégio que vejo algumas vezes no ano. Com esses amigos é como se não quisessemos estragar a fotografia que eles têm de nós de há décadas atrás. Esses estão completamente fora dos nossos fracassos sentimentais ou profissionais, para eles queremos sempre mostrar uma aura de sucesso e de auto-confiança.
Se eles acreditarem que temos sucesso, é como se aquela jovem idealista que achava que conseguia mudar o mundo com um estalar de dedos, ainda existisse algures...
Mas há sempre os amigos do infortúnio, aqueles que tem um carisma qualquer que nos faz desabafar "o que nos vai na alma" logo a seguir ao bom dia.
Como eles não há medos estúpidos, fraquezas vergonhosas ou inseguranças infantis... não há julgamentos, nem rótulos... apenas uma compaixão que não nos faz sentir fracos.
Precisamos dos amigos para nos convencer a nós próprios que somos fabulosos mas precisamos das nossas "muletas sentimentais" quando estamos demasiados cansados para fingir...
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Geração i (*ai*)
A coisa mais espantosa que nos aconteceu nos ultimos tempos deve ter sido as i"Stuff". iPhone, iBook, iPad encheram o nosso léxico de palavras, que apesar de começarem por *ai*, nos enchem de prazer.
Os romanos diziam que o povo precisa de pão e circo, actualizando a frase aos termos actuais, o que o povo precisa é de cupcakes e gadgets electrónicos.
São das relações mais puras que temos, apesar de "crasharem" com alguma frequência e também fazerem coisas completamente inexplicáveis, somos nós quem decidimos a altura de fazer reboot, shutdown ou upgrade.
Curioso, ao contrário dos nossos pais que acabaram por fazer uma revolução, devemos ser das gerações mais precárias que existiu mas viramo-nos do avesso para adquirir a nova versão de telefone que usamos como "prova de status" mesmo ao lado do livro de recibos verdes.
Ainda ontem falava isso com uma amiga, há uns anos atrás, a ideia de ficar num emprego convencional com horários rígidos e a sua consequente estabilidade, assustava-nos. Hoje em dia, a ideia de "estabilidade" já não nos parece assim tão má.
Mesmo nas relações, por mais que o marasmo nos invada, damos por nós a ponderar se a estabilidade não é preferível ao desconhecido.
No meio da nossa parafernália electrónica damos por nós a amedrontar-nos cada vez mais. A resignarmo-nos aos nossos *ais* com medo que o desconhecido nos traga *ais* ainda maiores.
O nosso disco rígido está cada vez mais cheio de "fragmentos", acumulados durante a nossa vida, devido a medos desenvolvidos por excessivos ataques ao nosso idealismo.
Aliás, o idealismo hoje em dia, vale tanto como um telefone de segunda geração. Pensamos que só nos leva a dissabores ou ao desemprego...
Da veia revolucionária dos nossos pais não nos sobra muito, apenas umas quantas conversas café com amigos mais chegados.
Espero que as gerações futuras tenham um upgrade em relação à nossa, que passem de geração i(*ai*) a geração y(*why*).
Blog updated via iPad
Os romanos diziam que o povo precisa de pão e circo, actualizando a frase aos termos actuais, o que o povo precisa é de cupcakes e gadgets electrónicos.
São das relações mais puras que temos, apesar de "crasharem" com alguma frequência e também fazerem coisas completamente inexplicáveis, somos nós quem decidimos a altura de fazer reboot, shutdown ou upgrade.
Curioso, ao contrário dos nossos pais que acabaram por fazer uma revolução, devemos ser das gerações mais precárias que existiu mas viramo-nos do avesso para adquirir a nova versão de telefone que usamos como "prova de status" mesmo ao lado do livro de recibos verdes.
Ainda ontem falava isso com uma amiga, há uns anos atrás, a ideia de ficar num emprego convencional com horários rígidos e a sua consequente estabilidade, assustava-nos. Hoje em dia, a ideia de "estabilidade" já não nos parece assim tão má.
Mesmo nas relações, por mais que o marasmo nos invada, damos por nós a ponderar se a estabilidade não é preferível ao desconhecido.
No meio da nossa parafernália electrónica damos por nós a amedrontar-nos cada vez mais. A resignarmo-nos aos nossos *ais* com medo que o desconhecido nos traga *ais* ainda maiores.
O nosso disco rígido está cada vez mais cheio de "fragmentos", acumulados durante a nossa vida, devido a medos desenvolvidos por excessivos ataques ao nosso idealismo.
Aliás, o idealismo hoje em dia, vale tanto como um telefone de segunda geração. Pensamos que só nos leva a dissabores ou ao desemprego...
Da veia revolucionária dos nossos pais não nos sobra muito, apenas umas quantas conversas café com amigos mais chegados.
Espero que as gerações futuras tenham um upgrade em relação à nossa, que passem de geração i(*ai*) a geração y(*why*).
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
ás de Copas
É mesmo necessário um certo grau de casualidade para manter o fogo numa relação?
Será que se procurarmos algum tipo de compromisso cedo de mais, acabamos por comprometer a intensidade da relação?
Podemos viver romances livres de amarras durante algum tempo, acho que isso todos conseguimos... mas a maior habilidade está em saber a altura exacta para virar o jogo e tentarmo-nos comprometer.
Se for cedo de mais extinguimos a chama mas se for tarde de mais a unica saída é o gameover.
Talvez as relações actuais se assemelhem cada vez mais ao poker. Se a casualidade é necessária, temos de saber quando "ir a jogo", quando "passar" e até quando fazer "all-in". Tudo tem que ser feito na altura exacta antes que as fichas se esgotem.
Minúcia, minúcia... my friends e um certo grau de bluff....
Estes dilemas conduzem a mais uma questão, quantas vezes podemos "ir a jogo" sem sermos considerados "fáceis"?
Como "criaturas urbanas" devemos preocupar-nos com isso?
Conseguimos passar a vida a arriscar mas essas tentativas comprometem mesmo a nossa probabilidade de vitória nas "mãos" seguintes? Hoje em dia? Para ambos os sexos?
Isto talvez explique o numero de pessoas que existe em "burn-out emocional", consumiram-se na incerteza do "como?" e do "quando?".
Será que se procurarmos algum tipo de compromisso cedo de mais, acabamos por comprometer a intensidade da relação?
Podemos viver romances livres de amarras durante algum tempo, acho que isso todos conseguimos... mas a maior habilidade está em saber a altura exacta para virar o jogo e tentarmo-nos comprometer.
Se for cedo de mais extinguimos a chama mas se for tarde de mais a unica saída é o gameover.
Talvez as relações actuais se assemelhem cada vez mais ao poker. Se a casualidade é necessária, temos de saber quando "ir a jogo", quando "passar" e até quando fazer "all-in". Tudo tem que ser feito na altura exacta antes que as fichas se esgotem.
Minúcia, minúcia... my friends e um certo grau de bluff....
Estes dilemas conduzem a mais uma questão, quantas vezes podemos "ir a jogo" sem sermos considerados "fáceis"?
Como "criaturas urbanas" devemos preocupar-nos com isso?
Conseguimos passar a vida a arriscar mas essas tentativas comprometem mesmo a nossa probabilidade de vitória nas "mãos" seguintes? Hoje em dia? Para ambos os sexos?
Isto talvez explique o numero de pessoas que existe em "burn-out emocional", consumiram-se na incerteza do "como?" e do "quando?".
domingo, 2 de janeiro de 2011
United States of Loneliness
Quanto mais penso na solidão mas sei que não tem nada a ver com pessoas...
Normalmente pensa-se: uma pessoa sem a presença de outras está só! Na minha opinião, não há nada de mais errado...
Quantas vezes não nos aconteceu, estarmos rodeados de pessoas que apreciamos mas existe qualquer coisa que nos faz sentir sozinhos... no meu caso, com uma súbita necessidade de estar noutro sítio qualquer que não aquele...
Noutras alturas, estou em casa, tiro o som do telefone e fico deliciada em passar a noite com um livro e um pint de gelado.
Recentemente, e pela primeira vez na minha vida, estou numa casa sozinha. Em algumas noites, tenho que confessar, que senti uma solidão tão espessa que vesti o casaco e fui para a rua. Contudo, nessas alturas, mesmo que tivesse alguem ao pé de mim teria sentido a mesma angustia.
Do que me lembro, não é bem a sensação de solidão mas de sensações combinadas. Talvez solidão misturada com vulnerabilidade e uma pitada de impotência.
Há dias que só nos apetece fugir, passeamos nas ruas mas temos um pensamento secreto que as pessoas que se cruzam connosco são apenas figurantes contratados, não existem, limitam-se a passar para a frente e para trás.... pensamos que se estivessemos nus provavelmente continuariam a passear para a frente e para trás impassivelmente.
A solidão também pode ser reconfortante, quer estejamos sozinhos ou no meio na multidão, às vezes sabe bem perdermo-nos no meio do nosso cérebro. Embrulharmo-nos nas nossas emoções, misturar tudo e talvez, quem sabe, tirar fantásticas conclusões de coisas que nunca esperávamos resolver.
Penso que não vale a pena procurar a solidão entre quatro paredes, ela pode estar em qualquer lado, dentro de um quarto ou no meio de um centro comercial.
A solidão é mais um estado psicológico do que físico. Nunca sabemos quando pode atacar, por vezes ataca em momentos completamente inesperados outras vezes fica um pouco e transforma-se, não num estado passageiro, mas numa fase...
Podemos mexer-nos à vontade, ela não depende de lugares nem de companhia...
Séneca resumiu o estado de uma forma maravilhosa: Sentir solidão não é estar só, é estar vazio.
Normalmente pensa-se: uma pessoa sem a presença de outras está só! Na minha opinião, não há nada de mais errado...
Quantas vezes não nos aconteceu, estarmos rodeados de pessoas que apreciamos mas existe qualquer coisa que nos faz sentir sozinhos... no meu caso, com uma súbita necessidade de estar noutro sítio qualquer que não aquele...
Noutras alturas, estou em casa, tiro o som do telefone e fico deliciada em passar a noite com um livro e um pint de gelado.
Recentemente, e pela primeira vez na minha vida, estou numa casa sozinha. Em algumas noites, tenho que confessar, que senti uma solidão tão espessa que vesti o casaco e fui para a rua. Contudo, nessas alturas, mesmo que tivesse alguem ao pé de mim teria sentido a mesma angustia.
Do que me lembro, não é bem a sensação de solidão mas de sensações combinadas. Talvez solidão misturada com vulnerabilidade e uma pitada de impotência.
Há dias que só nos apetece fugir, passeamos nas ruas mas temos um pensamento secreto que as pessoas que se cruzam connosco são apenas figurantes contratados, não existem, limitam-se a passar para a frente e para trás.... pensamos que se estivessemos nus provavelmente continuariam a passear para a frente e para trás impassivelmente.
A solidão também pode ser reconfortante, quer estejamos sozinhos ou no meio na multidão, às vezes sabe bem perdermo-nos no meio do nosso cérebro. Embrulharmo-nos nas nossas emoções, misturar tudo e talvez, quem sabe, tirar fantásticas conclusões de coisas que nunca esperávamos resolver.
Penso que não vale a pena procurar a solidão entre quatro paredes, ela pode estar em qualquer lado, dentro de um quarto ou no meio de um centro comercial.
A solidão é mais um estado psicológico do que físico. Nunca sabemos quando pode atacar, por vezes ataca em momentos completamente inesperados outras vezes fica um pouco e transforma-se, não num estado passageiro, mas numa fase...
Podemos mexer-nos à vontade, ela não depende de lugares nem de companhia...
Séneca resumiu o estado de uma forma maravilhosa: Sentir solidão não é estar só, é estar vazio.
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