quarta-feira, 25 de maio de 2011

Carrinhos-de-choque sentimentais

Temos todos um nadinha de bruxos no que se refere a relações sentimentais.
Principalmente no início, há sempre duas perguntas a correr em background na nossa mente "será que isto vale a pena?", "será que isto vai resultar?".

Quanto mais "escaldados" estamos, mais estas perguntas se tornam sonoras. Quem disser que não... mente com todos os dentes.

Escusado será dizer que à mínima desconfiança ou palavra mal escolhida, as sinetas de alarme disparam e um risinho irónico ecoa na nossa cabeça... "eu bem te avisei, sua idealista tonta".

Quanto mais a nossa vida e idade avança, mais temos a perder, logo, mais fortes as vozes internas se tornam.... até ao ponto limite, onde nos tornamos imóveis por medo.

Começar uma relação tem muitos prós e demasiados contras.
O estado inicial de paixão é idílico, não há defeitos, só há virtudes e uma demência sã. Depois há a partilha de experiências, a necessidade de viver experiências em conjunto, as juras eternas de amor, as promessas que vamos escutar, vamos fazer, vamos compreender... tudo prós, portanto.

Há também o lado obscuro dos contras, é preciso encaixar, logo, há que limar arestas em ambos.
Mas quando já vivemos demasiadas relações, ainda conseguimos limar alguma coisa? ou já estamos vencidos pela erosão?
Se passarmos a vida a limar arestas não acabamos em pó?

Por isso, é que no meio deste "encaixe", há uma guerra surda-muda em mantermos a nossa personalidade. Há pontos de não-concessão e há defeitos da outra pessoa que ela interpreta como traços de personalidade.

Até onde abdicar?
Rejo-me pela regra do "meu" bom-senso. Abdico até ponto onde não comprometo a minha felicidade. É por isso que mudo de relações, é por isso que me apaixono e me desapaixono... para ser feliz.
Se isto for posto em causa, negócio fechado...

Quando tentamos encaixar à força criamos feridas. Não é bem uma tentativa de encaixe... é mais uma colisão. Com o tempo algumas mazelas tornam-se tão profundas que qualquer cicatrizante, vindo da criatura com quem estamos, se assemelha mais a sal que outra coisa qualquer.

... e é aqui que a maioria dos trintões e quarentões se encontram, a colidir caoticamente com as pessoas que cruzam as suas vidas, na esperança que algum encaixe por milagre.

@ Jaques Henri Lartigue

Cada vez nos magoamos mais e cada vez recorremos menos à lima.
Os pontos de não-concessão aumentam e as vozes desconfiadas ganham megafones.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Qual a cor do Viagra para impotência sentimental?

Digo-vos de caras, é impossível manter uma relação com um egocêntrico.

Estranho, para uma pessoa como eu, que acha que tudo vale a pena, dizer-vos desistam à priori, parece fora de personagem...

Um egocêntrico é como um homem casado há 10 anos com filhos, está demasiado envolvido numa relação... a relação promíscua que mantém com o seu próprio umbigo.

Esqueçam, até podem vestir o 32, continuam a ser demasiado grandes para caberem na vida dele. Não há dieta que vos valha, nem personalidades demasiado apaziguadoras que consigam vencer o amor que eles nutrem por si próprios.

Qualquer outro defeito, com mais ou menos esforço, é ultrapassável. 
Até a impotência sexual tem o famoso comprido azul, agora, não há comprimido, de cor nenhuma, que vença a impotência sentimental.

A flacidez com que gerem as relações é assustadora e intransponível. 
Eles nunca vão sair deles próprios e colocar-se nos vossos sapatos. 
Para quê? 
Eles já estão no nirvana. 
Descobriram a perfeição assim que se aperceberam o quão abençoados foram pela natureza com o seu carácter fora de série e a sua verdade inquestionável.
Qualquer outra pessoa está obviamente errada, baralhada e parva se não tiver uma opinião semelhante.

Lutar e pedir desculpa? Para quê?
Para eles vocês nunca têm razão, daí não verem a necessidade de o fazerem. Lutar implica dispêndio de energia, energia essa, que seria muito bem empregue na sua atribulada vida.

@Mapplethorpe

Por mais que dêem romance, amor e dedicação nunca vão ser devidamente apreciadas.  Para quem sofre de uma inabalável auto-estima, isso é o mínimo que podem fazer por eles. Não há retribuição... nem gratidão...

Penso que um egocêntrico devia viver ao ar-livre, seria a única maneira de eles e o seu ego conseguirem coabitar no mesmo espaço. 

Viver com um egocêntrico é como ser um cão de porcelana numa casa de emigrante. O vosso papel é somente decorativo e nem direito têm a abanar a casa como os caezinhos dos carros... a não ser que seja para dizer que sim, é claro...

Não podem interferir em nenhuma das suas rotinas ou dividir espaços. As únicas coisas que podem alterar serão sempre em seu próprio proveito.
 Yes, my dears, não contem que ele vos dê espaço de roupeiro...

A laranja mais bonita da casa não é vossa... e as princesas, em vez de serem vocês, é ele...

Ainda consigo compreender o fascínio das mulheres por escroques. Pensamos que os podemos mudar, converter e eles até nos podem tratar intimamente bem....
.... agora egocêntricos? nem pensar...

Seríamos princesas? Sim... a princesa Diana de Gales, sempre com a Camila por perto...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Desconfiança: amiga ou inimiga?

Está mais que provado que os "baques" que a vida nos prega desenvolvem e alimentam a nossa desconfiança natural.

A desconfiança é uma espécie de "anticorpo sentimental". Tem a função daquela borracha em torno dos carrinhos de choque.
Amortece o impacto de mais uma desilusão amorosa e torna-nos criaturas de corações em banho-maria, deixamos de estar quentes ou frios... ficamos sempre tépidos.

Temos aquela ansiedade para antecipar as pseudo-tragédias, para sentirmos que ninguém nos faz de parvos ou que não estamos a perder o nosso tempo.
Entramos nas relações, não com um pé atrás mas com dois... quantos mais tivéssemos mais usávamos...

Porreiro por um lado, se vier daí más notícias... estamos preparadíssimos!
Vivemos a nossa vida (dita adulta) como escuteiros: sempre alerta!
A energia utilizada neste processo todo é gigantesca. É como se sofrêssemos de tristeza preventiva... sofremos antes do sofrimento propriamente dito.

Os eternos optimistas levantam neste momento o dedo e assinalam o óbvio: não será isto sofrer em duplicado?

@Pierre et Gilles

Pessoalmente penso que não se trata bem de sofrer em duplicado, é mais um "sofrer às prestações". Em vez de sofrermos tudo de uma vez num curto espaço de tempo, vamos sofrendo aos pouquinhos (porque há sempre a esperança que seja somente fruto da nossa imaginação) durante um período maior.

Até aqui depende tudo de gosto pessoal.
Para não me acusarem de fugir com o rabiosque à seringa, assumo que por mim prefiro tudo de uma vez e só se passa por isso uma vez.
Como analogia, quando tive que arrancar os quatro sisos em cirurgia, tentei convencer o cirurgião a arrancar-mos todos de uma vez! Infelizmente, ele explicou-me que era impossível, teria que arrancar um lado de cada vez porque  era necessário um lado "são" para mastigar alimentos... preciosismos.
... uma vez só, fulminante, mas depois de passar não se fala mais nisso... não se rumina a experiência.

... mas para mim o cerne da questão nem é esse. O facto de vivermos desconfiados não provoca na "coisa" uma morte prematura?
Se... no cenário mais hipotético do mundo... vivêssemos sempre como patetas inocentes, não esticávamos a quantidade de experiências positivas?
... e isto já não tem nada a ver com gosto pessoal...

Será que os "calos" sentimentais que vamos desenvolvendo durante a vida não serão mais "espigões" que se vão cravando cada vez mais fundo?

Ok, tem material de discussão para a próxima sessão de pedicure.

sábado, 23 de abril de 2011

Os problemas sexuais comovem-me!

Comovi-me e voltei a ter fé nos homens ao ler um spam mail.

Por descargo de consciência, tenho sempre a mania de ver por alto o spam mail antes de mandar directamente para o lixo.

Sinceramente, fico sempre surpreendida com o número de mails que a Angelina Jolie me envia e com o quantidade de pessoas que quer que eu aumente o tamanho do meu pénis.

Mas houve um mail, no meio de centenas deles que prometem vencer as leis da física e acrescentar uma dezena de centímetros ao tamanho do... que me despertou interesse.

O subject era: "make her come again and again and again" (em estrangeiro), "faça-a vir outra vez, outra vez e outra vez" (ou qualquer coisa semelhante na nossa língua). Se dissesse "arranje motivo para se gabar aos seus amigos" teria passado por ele sem lhe dar importância.

O facto de o alvo do mail ser proporcionar prazer à companheira era enternecedor, altruísta e nobre.

@Ruven Afanador

Ok, ultimamente as coisas não têm corrido bem com o sexo oposto, portanto a minha imagem dos homens não é das mais optimistas. 
Para mim, são egoístas e egocêntricos. Só pensam no prazer próprio por mais que jurem a pés juntos que não... assim que a coisa começa a dar para o torto, quais ratos, são os primeiros a abandonar o navio... Sim, crise de solteirona... ou sim, talvez tenha conhecido os homens errados...

Portanto, esta visão do "they care" deu-me de novo esperança, comecei a crer que o meu desencantamento era só da crise emocional.

A minha visão de um homem com problemas sexuais é a seguinte: homem e mulher na cama com um elefante, ele diz "qual elefante?" e ela finge que não vê nada... "vamos chamar um tratador do zoo?" - "que disparate, isso só fazia sentido se houvesse aqui algum elefante". Fim da história. Não se fala mais desse assunto porque ALGUÉM pode ficar traumatizado.

Depois do mail, o ALGUÉM mudou de protagonista e voltei a achar que as relações são possíveis e bi-direccionais. VIVA a Enlargement pils Free Sample e o seu Pros Viagra!!

Fiquei tão feliz que calcei os sapatos para sair e tentar encontrar o Mr. Wonder. 
Descalcei os sapatos.
Lembrei-me que 70% das pessoas que compram produtos do género são mulheres.
Bom, sobram 30%, admitindo que destes 20% só querem gabar-se aos amigos, sobram 10%.... metade são gays.... 5%! 
5% da população mundial é a nossa chance de encontrar alguém que valha a pena!
5%!
não será mais fácil dirigimo-nos ao grupo dos 70%??

domingo, 17 de abril de 2011

O Mr. Big está fora de moda...

Ao observar o meu grupo de amigas constatei a seguinte realidade: os homens, a longo prazo, estão lixados...

Ora vejamos, contam-se pelos dedos da mão a quantidade de amigas minhas que andam com homens mais velhos.

Tudo bem, a Cameron Diaz e a Demi Moore foram as pioneiras mas a moda colou melhor que as skinny jeans... e num instante... homens mais novos estão "in".

Freud deve explicar isto, sim... acho que deve ter muito a ver com sexo! Aliás, tudo a ver com sexo...
Os homens atingem o seu pico sexual aos 20's mas as mulheres atingem o seu "pico" muito mais tarde, dizem que por volta dos 40's... Até penso que não se trata bem de pico...

Sua defensora de que quando uma mulher passa a fasquia dos 30's dá-se um momento de magia... subitamente deixamos de dar tanta importância à opinião dos outros e assumimos-nos tal e qual como somos. Simplesmente, deixamos de pedir desculpa pelo o que somos... com os nossos defeitos e virtudes, fazemos as "pazes internamente"...

Portanto, os complexos dos 20's: a barriga que não é perfeita, as ancas que são demasiado largas, etc. Parecem problemas demasiado fúteis para nos fazer apagar a luz nos momentos de intimidade.

Por sua vez, os homens que nos 20's nunca se debateram com complexos, começam a perder cabelo, a ficar com cabelos grisalhos, a desenvolver a famosa barriga e a aguentar pouco minutos com ar... nos jogos de futebol "solteiros versus casados" (ou "ainda casados" versus "finalmente divorciados")... e não só... claro!

@ Richard Avedon
Existe outro grande problema... andar com quarentões engorda: o número de jantares fora aumenta consideravelmente e o "exercício físico" diminuí... tudo o que uma mulher não quer ouvir.
Quem, com 20 anos, se preocupa onde se vai jantar? Qualquer sítio serve ou arranja-se qualquer coisa pelo caminho, aos quarenta esse assunto torna-se muito, muito sério.

Penso que os quarentões já se aperceberam que a história do vinho do Porto não cola, até porque já não se fazem assim tantos barris de nogueira.

Já perdi a conta à quantidade de homens na casa dos 40 que de repente começaram a fazer desportos radicais.
(Vou ser morta por estar a escrever a isto mas...)
A nova versão de crise de meia-idade já não tem nada a ver com carros desportivos vermelhos... é mais surf, kite-surf, rappel, calças Diesel, ténis Nike e por aí adiante...

Aliás, há marcas que devem viver exclusivamente da vontade de homens quarentões voltarem aos trinta de novo... p.e. Diesel, Pepe Jeans, entre outras marcas supostamente "radicais" e caras...

Mas estes "truques" já não convencem as mulheres modernas... não, e uma espécie de vendetta dos tempos em que homens, aos 40's, trocaram as mulheres por raparigas de 20's... de uma forma casual estamos a fazer justiça e a honrar a dignidade das nossas mães.

Já não há nenhum olhar apreensivo quando alguma amiga nos diz: ele tem menos 6 anos... já é perfeitamente banal. Quanto muito, a única coisa que se ouve é: "ele é giro?".

Como já não dependemos de homens, portanto, eles podem assumir apenas o papel recreativo... ai ai "toy boys"...